quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009


Carnaval chegando...folia, descanso, sol, fotos, livros, piscina, não necessariamente nessa ordem...

Preciso muito me recolher...

Meu coração não está em folia constante...anda apreensivo, distante...

Quem sabe depois da folia eu não volto melhor...

bjos pra todos! boa folia e juízo!!!!!!!!!!


"O samba é alegria

Falando coisas da gente

Se você anda tristonho

No samba fica contente

Segure o choro criança

Vou te fazer um carinho

Levando um samba de leve

Nas cordas do meu cavaquinho "


Paulinho da Viola

Eu canto Samba, 1989

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Vida



Há tempos que paro a pensar em todas as coisas que gostaria de escrever.
São tantos os pensamentos e desejos embutidos, que, confesso congelar, inerte nos pensamentos, sem saber por onde começar.
É bem verdade que essa vontade vive em mim desde os tempos de menina.
Mas que menina era essa afinal? Há vinte e poucos anos atrás?
Quando olho o caminho que me trouxe aqui, não reconheço alguns atalhos, tão menos entendo a futilidade dos meus pensamentos pretéritos.
Iludida com meus sonhos, suspirando em fantasias, vivia eu no mundo do faz de conta, a Flavolândia era minha rotina...
Como escolhi meus amigos? Quais eram meus princípios? O que realmente me fascinava?
Quem era aquela menina? O que era real? Como fiz minhas escolhas?
Era tão boba essa menina...
O maior problema do mundo, o mais bonito do mundo, o mais feio do mundo, tudo tão radical, tão excessivo...
Acreditava em duendes e fadas, no Papai Noel e até conversava com seres iluminados...rs
Que bobinha essa menina!
Tantas coisas afloradas por tanto tempo reprimidas! Quantas coisas verdadeiras deixei passar por talvez não ter... coragem!
Por não acreditar.
Por quanto tempo eu me escondi na concha?
A verdade é que a gente cresce, vai caminhando por essa "louca Diva" chamada vida e percebe que ela muda a gente sim!
Tanta coisa acontece, muda o rumo e a gente cresce.
Não sou mais a boba de antigamente. Não pegariam minhas “barbies”, nem tomariam os meus brinquedos...
Só hoje aos trinta e um “e lá vai fumaça...”percebo a Flávia que me tornei.
Levei tombos, ralei os joelhos, manchei o rosto com lágrimas do crescimento.
A vida mostrou que tudo tem seu tempo e nem sempre o tempo bate as horas no ritmo do nosso “tic tac”.
Tem as surpresas boas e as ruins.
Tem os planos concretos e aqueles dispersos.
Ainda acredito em duendes, sonho com amor e com doçura. Tem coisas que ainda mantenho, sabe? Travando lutas contra dias tristes, frustrados e austeros...
Só eu sei os anseios que palpitam no meu coração que hoje grita, arde.
Tem gente que não leva fé nos meus delírios, que condena até os meus suspiros.
Eu me cobro também quando penso nisso, afinal sou filha, mãe, sou esposa, sou profissional, há um compromisso.
Mas há o “clique” que estalou em minha vida.
Uma granada, sem pino, mudança mais que explosiva.
Não tem volta. As escolhas agora, são minhas, os caminhos tomados, são meus.
Escolhi ser atrevida. Quero rir e tentar outro rumo. Que se dane o status, as regras, os tolos do mundo!

“E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.”
Clarice Lispector
(rsrsrsrs queria ter tirado uma foto minha ao ler essa frase...tão propícia...rs)

Ahhh!
Devo dizer...
Há muitos fatos, personalidades que me inspiram.
Há a fotografia, e a leitura...e nela há “Clarice” Minha inspiração permanente...

A melhor de todas as inspirações é pequena de cachos dourados e sorri como um anjo batendo asas a minha frente...Maria Eduarda cresce e aumenta o desejo de avançar nessa jornada.

“Covardia Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro... Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. (...) No momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi? Assim fiquei eu... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma.”Clarice Lispector (1947 Berna - Suiça /Carta à irmã)


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Quer me acompanhar?

Por um momento eu pensei em desistir da dieta estúpida, dos meus textos estúpidos, do meu blog estúpido, das minhas fotos estúpidas e de tudo estúpido que eu tento e tento todos os dias.
Mas daí eu pensei que não ia desistir de nada, porque antes de toda essa “estupidez” ser importante pra alguém, ela é essencial pra mim.
E apesar de olhar pra todo o horizonte e enxergar um ponto de interrogação do tamanho da minha barriga, eu não quero desistir.
Mesmo vendo todos os dias no canto do quarto, da sala, nas barcas, nas ruas que eu ando, nos lugares que visito e até mesmo aqui nesta sala onde trabalho todos os dias, a Lady Deprê, eu não vou desistir.
Eu não sei explicar o que é que eu sinto.
Eu posso estar leve, feliz, curtindo...
Mas basta a presença de algumas pessoas, pessoas exatas, pra que dentro de mim algo murche. É como se eu jogasse baygon em cima de uma flor...
Não adianta. É além do que eu posso explicar e eu acho que vai doer até o fim dos meus dias...
Dói dentro de mim.
Só que não existe só essa dor na minha vida!
Eu existo. E tem gente que ama a pessoa que eu sou! E tem gente que apóia e adora o resultado da minha dieta estúpida! E tem gente que ama o texto que eu escrevo! E tem gente que ama as fotos que eu tiro! E tem gente que ama a minha companhia e quem eu sou, as minhas doideiras, os meus defeitos, os meus ataques, os meus surtos, os meus sorrisos e até os meus choros em dia de TPM.
E mais do que tudo, há a Maria. A Maria dos cachos dourados.
A Maria espevitada.
A Maria que é linda e que sou responsável pela beleza dos seus dias, de sua vida e dos valores que ela terá pra construir sua história.
E quando eu digo de quem me ama. Digo aqueles que me dão bronca. Aqueles que me aconselham, aqueles que me falam a verdade. E não o bando de hipócritas que vivem rindo e soltando verborragias inúteis.
Não quero que me chamem de querida, mas quero que respeitem o que sou e quem eu luto para ser.
Não quero achar que tudo é perfeito, mas quero enxergar a beleza sempre pra não viver amargurada com a vida e com as pessoas.
Não quero ser louca, mas quero ousar e parar de fazer somente o que é politicamente correto e ditado pela sociedade.
Não vivo nas igrejas, mas rezo com verdade quando meu coração está puro, porque quando estou com raiva e cheia de pecado não consigo dizer nada além de perdão “Pai!”
Prefiro a minha vontade de acertar, de amar, à hipocrisia de andar rezando com terço na mão.
Não me preocupo se minha pele envelheceu, ou meu corpo foi castigado, mas agradeço por ele ser perfeito e ter saúde pra ver o sorriso de Duduca todos os dias da minha vida.
Quero as rugas, quero as marcas dessa história que construo mesmo com meus erros.
Quero a verdade e quem é verdade no que é, mesmo quando o que se é não seja tão lindo assim.
Afinal, o que é lindo? Tudo é muito relativo...
Tenho a voz dura quando é preciso e quando não é preciso também.
Sou um touro na raiva, contudo, a mais doce das pessoas quando amo de verdade.
Quero evoluir com você e não passar pela vida achando que nada é preciso fazer pra andar por aí nesse milagre que Deus nos deu...chamada vida.
Não quero ter paciência para o mesquinho. Já não agüento o invejoso.
Não suporto o mimado, nem as crianças vítimas dos pais que constroem essa nova geração.
Quero fazer algo. O que? Não sei? To procurando e assim farei até morrer.
Quem eu sou? Uma simples mortal.
Ando na chuva, me sujo comendo empada, tenho preguiça de tomar banho depois da noitada, como chocolate na TPM (e fora da TPM também), as vezes não tiro o rimel dos olhos, falo alto, sou ciumenta, penso como gordos( humm,guloseimas), não faço pose na praia, brinco na areia, quando corro pareço um pato, comi “a merenda” antes do casamento, não casei na igreja, mas pode ter certeza: quero muito ser feliz! E para aqueles que amo? Eu tento superar tuudo, e fazer tudo pra que a vida valha a pena. Afinal...minha alma não é pequena!
Sendo assim, nada é estupido...
Quer me acompanhar? Será ótimo ! Mas por favor não me chame de querida...(a não ser que realmente seja verdade...)

É como na música da minha “velha amiga Zélia”: “A diferença está na crença. De quem pensa que pensa e apenas alimenta, meias verdades, meias atitudes. Meias bondades, nada disso me interessa...” *

*Zélia Duncan